A obra era um galpão logístico na BR-364, zona norte de Porto Velho. Durante a escavação das sapatas, a retroescavadeira atingiu um siltito argiloso variegado a 1,80 m de profundidade. O material mudava de consistência com facilidade. Coletamos amostras indeformadas e iniciamos a caracterização táctil-visual no local. Mas a confirmação exata do comportamento plástico veio com o ensaio de Limites de Atterberg. Em Porto Velho, com formações superficiais lateríticas sobrepostas a sedimentos aluvionares do Rio Madeira, a transição entre solos de comportamento laterítico e solos de plasticidade elevada é abrupta. Sem o ensaio, a classificação fica incompleta.
Em Porto Velho, o Índice de Plasticidade distingue a argila laterítica estável da argila aluvionar compressível.
Fatores do terreno local
O solo do bairro Eldorado, sobre o alto terraço fluvial, é radicalmente diferente do solo da zona do Baixo Madeira, próximo ao Cai N'Água. No Eldorado, as argilas lateríticas apresentam baixa plasticidade e excelente capacidade de suporte. Já no Baixo Madeira, os sedimentos de várzea exibem plasticidade alta e compressibilidade crítica. Um projeto que ignore os Limites de Atterberg nessa região corre dois riscos severos: recalques diferenciais em solos com IP elevado, ou confundir um solo laterítico com baixa capacidade de compactação por falta de coesão aparente. Já vimos fundações subdimensionadas na zona sul porque o projetista considerou a argila siltosa como não plástica, quando o ensaio indicava IP de 28%. O erro custou a readequação completa das vigas baldrame.